O vídeo abaixo foi produzido para o Projeto Integrado de Comunicação (PIC), da Universidade Paulista - Unip, sob autoria e produção de Carlos Eduardo Monteiro. Seu objetivo e mostra que pessoas com deficiências e dificuldades de locomoção também são inclusas no meio olímpico. Na ocasião, a entrevistada foi a atleta paraolímpica brasiliense Shirlene Santos, participante da Paraolimpíada de Pequim em 2008, que relatou a sua história e a participação da mídia no meio paraolímpico. A entrevista foi realizada no Estádio de Atletismo Geração Campeã, da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal.
As paraolimpíadas é um evento multi-esportivo, que se realiza a cada quatro anos para atletas com deficiências físicas, mentais ou sensoriais. Essas deficiências abrangem a incapacidade visual, amputação, deficiências de mobilidade e paralisia cerebral. As paraolimpíadas são o equivalente das olimpíadas. As modalidades são adaptadas e apesar das necessidades físicas, as pessoas conseguem se dedicar aos esportes em nível profissional.
Em 2008, os jogos Paraolímpicos ocorreram em Pequim (China), havendo a participação de mais de quatro mil atletas de diversos países, inclusive do Brasil. A cerimonia de abertura dos jogos aconteceu no dia 6 de setembro e foram disputados 20 modalidades esportivas. Na penúltima versão, ocorrida em 2004, cerca de 4 mil atletas participaram e 519 medalhas de ouro foram distribuídas. Já no ano de 2008, o Brasil obteve 16 medalhas de ouro, um número expressivo que deixou o país na quinta posição no quadro.
A mídia, por sua vez, faz com que o público tenha compaixão pelos paratletas. Essas pessoas, embora apresentem suas deficiências, merecem ganhar o respeito e a confiança da mídia e não apenas a solidariedade. Sendo assim, enquanto a total cobertura é voltada para os jogos olímpicos, a exaustão se torna tão grande, que os atletas paraolímpicos ficam relegados a uma precária cobertura jornalistica. Com isso, aqueles que conseguem uma imagem positiva na mídia devido ás suas vitórias, são vistos como símbolos de superação, restando a sociedade apenas reconhecer e aplaudir o sucesso daqueles que superaram suas próprias limitações.
A sociedade continua sem informação, e isso leva a crença que a potencialidade de atletas portadores de necessidades especiais serão inatingíveis, pois, mostrar deficiência só da ibope em situações que explicitem o exótico-humano. De certa forma, os atletas são de alto rendimento e o esporte paraolímpico é eficiente, já que a cobertura midiática é deficiente. A mídia fez um grande estardalhaço diante do 16º lugar nas olimpíadas de Atenas e apenas citou o alto rendimento dos atletas paraolímpicos.
A mídia reflete uma imagem bastante imprecisa e incompleta das pessoas com deficiência, o que acaba sendo impossível reconhecer-se nela. Segundo a coordenadora de comunicação do Comitê Paraolípico Brasileiro (CPB), " a mídia privilegia muito a emoção em suas matérias sobre os atletas com deficiência, e falta o jornalista entender que o esporte é uma questão de redenção".
Números mostram que entre a primeira e a última versão dos jogos paraolímpicos houve uma grande evolução. Com o abandono do caráter de lazer e reabilitação, aumentou-se o interesse da mídia por este segmento esportivo. Uma pesquisa realizada em 17 países pelo Comitê Paraolímpico Internacional (CPI) mostrou uma audiência televisiva acima de 1,8 bilhões de pessoas durante os jogos paraolímpicos de Atenas 2004. Dos países analisados, o Brasil transmitiu o maior número de horas (168h), seguido pela Espanha com (125horas). A diretora de mídia e de comunicação do Comitê Paraolímpico Internacional, Miriam Wilkens, afirma que este crescimento confirma que tem ocorrido um aumento significativo no interesse dos países pelo jogos Paraolímpicos.
Já uma pesquisa de opinião pública, aplicada no ano de 2006, buscava avaliar o grau de conhecimento que os entrevistados tinham sobre as olimpíadas e paraolimpíadas. Com essa pesquisa, constatou-se que 80% das pessoas nunca acompanharam os jogos paraolímpicos, e que, os que ás vezes acompanhavam, cerca de 20%, buscavam se informar através da televisão, e cerca de 60% sequer sabiam o nome de algum atleta.
Jornalista Responsável
Carlos Eduardo Monteiro
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